Exclusivo: prometendo lucros de até 40% ao mês, jovem aplica golpe milionário em Criciúma

Muitas vítimas ainda não sabem que caíram em um golpe, o que pode aumentar ainda mais o valor da fraude.

Por Tcharlles Fernandes

Um jovem de 27 anos, morador de Criciúma, está sendo acusado de comandar um grande esquema de pirâmide financeira no município. Segundo informações iniciais, através da empresa Silva & Braz Investimentos, ele teria causado prejuízos de mais de R$ 2 milhões às pessoas envolvidas na ação.

Ao menos 120 pessoas já foram lesadas pelo homem, entre eles empresários, advogados e médicos, que acreditavam que os ganhos seriam lícitos e baseados em investimentos reais feitos através de operações financeiras e negociações de criptomoedas.

Fundada em janeiro de 2020, por 16 meses a empresa pagou seus investidores, porém desde maio deste ano, o acusado não fez mais pagamentos e parou de fazer operações  financeiras para os clientes. Durante o período, o jovem também passou a vender cursos especializados no mercado financeiro e fazer viagens para operar em outras cidades.

De acordo com uma das vítimas, o acusado prometia uma alta liquidez nos lucros. A vítima relata que investiu e a promessa de retorno foi de lucro que poderia variar entre 5% e 40% ao mês, mas ela não recebeu o dinheiro prometido.

Conheci o acusado através de um casal de amigos. Não acreditava que era possível lucrar 15% sobre o valor investido, mas como meus amigos já estavam colocando dinheiro e recebendo os lucros, confiei. Eu estava precisando aumentar a reserva (de dinheiro) que eu tinha para viajar para a Europa e terminar alguns documentos relacionados a cidadania italiana, acabei investindo tudo o que tinha e recebi apenas uma vez. Cada mês era uma desculpa diferente, sobre quando eu iria receber o lucro. Com mais de R$ 20 mil já investidos, um dia ele sumiu e parou de me responder. Quero Justiça, quero que ele seja preso, desabafa uma vítima que prefere não se identificar.

Pagina da empresa no Instagram.

A Polícia Civil (PC) já tem conhecimento da situação. Algumas vítimas registraram boletim de ocorrência nesta semana. O acusado, que não pode ser identicado por questões legais, atendeu nossa reportagem e se manifestou sobre o caso.

Quando comecei a trabalhar com esse ramo, descobri que tinha um certo talento para a "coisa" e algumas pessoas próximas a mim perceberam isso e tomaram a iniciativa de me fazer propostas para se tornarem investidores no negócio. Depois de pensar a respeito e fazer alguns cálculos, decidi aderir ao projeto, com pessoas bem próximas a mim. Passou um certo tempo e vieram outras pessoas querendo participar também, foi quando iniciei a empresa formalmente, oferecendo lucros já mais específicos e tudo mais. 

Vi ali uma possibilidade de ajudar muitas pessoas e com isso também obter um certo lucro, obviamente. Foi o que ocorreu por um bom tempo. Porém, por algumas decisões erradas de mercado, acabei entrando em situações que deixaram o capital em uma baixa muito grande, onde eu não poderia mais mexer no mesmo. Isso fez com que grande parte das pessoas desconfiasse de golpe por minha parte e acarretou todo o tipo de situação que transformou minha vida em inferno dali pra frente: ameaças contra mim e minha família, pressão psicológica, necessidades e situações extremas que me colocavam como culpado, entre outras. 

Todas essas circunstâncias contribuíram para uma série de decisões erradas e perdas muito maiores. A reparação vai ocorrer, mas a longo prazo.

Fica registrado aqui o meu pedido de desculpas a todos que acreditaram no projeto, que não foi uma ficção e nem uma pirâmide, mas que acabou por falhas humanas de quem não suportou a pressão. Deixo também um recado a todos de que, vão sim, receber seus dinheiros de volta, apenas peço um pouco de paciência.

O que é uma pirâmide financeira? É crime?

A prática de pirâmide financeira é proibida no Brasil e configura crime contra a economia popular (Lei 1.521/51). Com promessas de retorno expressivo em pouco tempo, os esquemas de pirâmide financeira são considerados ilegais porque só são vantajosos enquanto atraem novos investidores. Assim que os aplicadores param de entrar, o esquema não tem como cobrir os retornos prometidos e entra em colapso.

Segundo o Federal Trade Commission, órgão de defesa do consumidor dos EUA, esses esquemas oferecem lucros baseados no recrutamento de novos participantes, e não na venda real de algum produto. Em alguns casos até há venda de produtos, mas eles normalmente são usados para ocultar o esquema fraudulento. 

Por que têm vindo à tona tantos golpes com bitcoin?

A falta de uma legislação que permita controlar e fiscalizar a negociação de moedas digitais no país e a grande valorização do bitcoin em um curto período de tempo são fatores que colaboram para que ele sirva de chamariz para os golpistas. Para o economista criciumense Tiago Colombo, o mercado de criptomoedas (bitcoin) é algo novo e por conta disso existe diversos golpes relacionados ao tema. 

O cidadão comum precisa ter ciência de que não existem ganhos sem riscos no mercado financeiro. Este tipo de ativo tem alta volatilidade, por conta disso se faz necessário  buscar um especialista para auxiliar nos investimentos, mas nunca entregar dinheiro na mão de pessoas físicas. Investimentos são feitos por meio de instituições credenciadas e que seguem a legislação vigente. Antes de entregar seu dinheiro a uma pessoa qualquer, peça a ele as credenciais do mercado, documentação das empresas, etc, pois a ganância do ganho fácil é punida com a perda de todo o valor “investido”. Os ganhos oferecidos “sem riscos” ultrapassando a casa do 0,5% a.m. requerer atenção, pois possivelmente se tratará de um golpe, esclarece Tiago.

O que fazer se for vítima de uma pirâmide financeira?

O Ministério Público (MP) recomenda que a vítima faça denúncias no próprio órgão (federal ou estadual) ou às polícias federal e civil.

Segundo o advogado Artur Bolan, o consumidor também deve contratar um advogado para propor, junto ao Judiciário, ações condenatórias por danos materiais e morais e cumprindo-se seus requisitos, se socorrer das tutelas de urgência, medidas que visam o resgate imediato dos valores aplicados. 

Para Artur, com base no Código Civil, a empresa é obrigada a reparar as perdas e restituir o capital investido. 

O artigo 927 dispõe expressamente que aquele que, por ato ilícito causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo, ou seja, o consumidor deve buscar o reparo, já que a empresa por lei é obrigada a ressarci-lo, salienta.

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