
O ex-delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC), Ulisses Gabriel, oficializou sua filiação ao Partido Liberal (PL) no começo da noite deste domingo (15), em Florianópolis. O ato contou com a presença do governador do estado, Jorginho Mello, presidente licenciado da sigla em Santa Catarina e do deputado federal Ricardo Guidi (PL).
A filiação ocorre poucos dias após Ulisses deixar o comando da PCSC, cargo que ocupava até o início deste mês. A saída aconteceu em meio à repercussão nacional do caso do cão Orelha, episódio que gerou forte pressão política e institucional. Nos bastidores, por conta das aparições consideradas midiáticas do delegado, a avaliação era de que a permanência de Ulisses à frente da corporação havia se tornado insustentável.
Inquérito do Ministério Público
Paralelamente ao ingresso na política partidária, Ulisses Gabriel também se tornou alvo de investigação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
A Promotoria de Justiça decidiu converter um Procedimento Preparatório (PP) em Inquérito Civil (IC) para apurar supostas irregularidades na condução das investigações relacionadas à morte do cão Orelha, ocorrido na Praia Brava.
Segundo o MPSC, a decisão foi tomada após análise jurídica do material reunido durante a investigação preliminar. O procedimento foi instaurado após o recebimento de diversas representações questionando a conduta do então delegado-geral durante o andamento das investigações.
A apuração busca esclarecer possíveis crimes ou irregularidades, como abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e eventual ato de improbidade administrativa.
O foco central do inquérito é a hipótese de que informações sigilosas da investigação tenham sido divulgadas, o que, em tese, poderia ter beneficiado terceiros ou colocado em risco a segurança da sociedade e do Estado.
Pressão política e pedido de impeachment
As controvérsias envolvendo Ulisses Gabriel não são recentes. Em novembro de 2025, ele foi alvo de um pedido de impeachment protocolado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).
O documento apontava uma série de acusações contra o então delegado-geral, incluindo suposto uso político do cargo, desvio de finalidade e abuso de autoridade.
Os autores da representação alegavam que Ulisses estaria utilizando a estrutura da PCSC e o prestígio institucional da função para autopromoção e articulação política, com o objetivo de viabilizar uma eventual candidatura a deputado estadual.