O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), em apoio à 11ª Promotoria de Justiça de Criciúma, deflagrou, na manhã desta quinta-feira (4), a Operação Ubiquidade para apurar suspeitas de crimes contra a administração pública. As irregularidades teriam ocorrido entre 2021 e 2024 e envolvem agentes públicos comissionado e diretores de uma instituição de ensino da região.
Entre os alvos da operação está o vereador Aldinei João Potelecki (Republicanos) e sua esposa. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência do parlamentar, na Câmara Municipal de Criciúma e também na Casa do Empreendedor, ligada à prefeitura.
De acordo com o MPSC, a investigação apura o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido justificadas por meio de contratos de prestação de serviços supostamente não executados. Conforme os indícios levantados até o momento, os contratos teriam sido utilizados como instrumento fraudulento para o repasse de propina e favorecimento a Potelecki e sua esposa.
As apurações preliminares indicam que o vereador, à epoca Diretor de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovaçãoteria de Criciúma, teria utilizado influência na gestão de fundos municipais e na articulação para implantação de um novo centro de serviços no município, com o objetivo de beneficiar determinada instituição de ensino interessada em assumir a operação. Em contrapartida, a entidade teria contratado a empresa da esposa do vereador — apontada como empresa de fachada.
Segundo a investigação, a empresa recebeu pagamentos parcelados por supostos serviços de apoio administrativo. No entanto, não haveria funcionários registrados. Além disso, a esposa de Potelecki exerceria simultaneamente um cargo com carga horária mensal de 200 horas, o que, conforme os investigadores, indicaria inviabilidade na execução dos serviços contratados.
Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Criciúma e Balneário Rincão. A operação busca recolher documentos e outros materiais que possam confirmar as suspeitas e auxiliar na identificação de todos os envolvidos.
O procedimento tramita sob sigilo, e novas informações devem ser divulgadas pelas autoridades conforme houver autorização judicial.