O vereador de Criciúma, Aldinei Potelecki (Republicanos), teria utilizado o próprio filho como “laranja” para adquirir um apartamento com recursos supostamente oriundos de propina, aponta o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).
Em fevereiro, Potelecki e outros investigados foram alvos da Operação Ubiquidade. A reportagem teve acesso com exclusividade aos detalhes da investigação.
De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), em 2021, quando ocupava o cargo de diretor de Desenvolvimento Econômico na Secretaria da Fazenda de Criciúma, durante a gestão do então prefeito Clésio Salvaro (PSD), Potelecki teria viabilizado, por meio do Fundo Municipal de Inovação (FMI), o repasse de R$ 1.437.237,79 à Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Os recursos foram destinados à complementação dos valores necessários para a execução da obra do Centro de Inovação de Criciúma (CRIO).
Inicialmente, a obra estava orçada em R$ 7.051.000,00 — valor que já havia sido repassado pelo Governo do Estado. No entanto, conforme a direção da Unesc, “estudos especializados e validados por empresas locais de grande porte apontaram que os recursos necessários para a conclusão da obra chegariam a R$ 8.900.000,00”, o que indicava um déficit de quase R$ 2 milhões.
Diante disso, segundo o Gaeco, na condição de diretor de Desenvolvimento Econômico do município, Potelecki teria atuado para viabilizar o repasse do valor restante à universidade, bem como articulado para que a Unesc assumisse a administração do CRIO. Em contrapartida, de acordo com o MPSC, o vereador teria recebido ao menos R$ 60 mil em vantagem indevida da instituição.
Para o Gaeco, os elementos reunidos ao longo das investigações indicam que a contratação da empresa da esposa de Potelecki, Adriana Ribeiro Macario Potelecki, foi apenas de ''fachada'', com o objetivo de viabilizar o pagamento de propina pelas articulações que o vereador teria feito.
Ainda conforme os investigadores, os serviços pelos quais a empresa da esposa do parlamentar foi contratada, aparentemente, não chegaram a ser efetivamente executados.
A empresa teria sido contratada pela Unesc para a “preparação de documentos e prestação de serviços especializados de apoio administrativo ao ecossistema de inovação e ao Centro de Inovação”, no período de outubro de 2023 a setembro de 2024.
Contrato teria sido utilizado para ocultar a remuneração de Potelecki, sem, contudo, haver indícios de efetiva prestação de serviços.
A empresa foi encerrada logo após o término do contrato com a Unesc. Há indícios de que uma nova empresa, constituída por Potelecki e Adriana em julho de 2025, possa estar sendo utilizada com a mesma finalidade.
Compra de apartamento
Após a operação deflagrada em fevereiro, o Gaeco encontrou, no aparelho celular de Potelecki, um documento com proposta de compra de um imóvel, datado de 18 de dezembro de 2024, assinado por João Potelecki, filho do casal investigado.

O documento chamou a atenção dos investigadores porque o pagamento da entrada, no valor de R$ 40 mil, ocorreu em dezembro de 2024, logo após Potelecki ter recebido a última parcela do contrato com a Unesc, que está sob investigação. O apartamento foi adquirido em nome do filho do vereador poucos dias depois. João, neste caso, não é investigado.

Procurados, os envolvidos não quiseram se manifestar. As investigações seguem em andamento.