Menos combustível, menos rondas

A Polícia Militar de Criciúma diminuiu consideravelmente as rondas na cidade por falta de...

Por Tcharlles Fernandes

A Polícia Militar de Criciúma diminuiu consideravelmente as rondas na cidade por falta de combustível. Há pelo menos quatro dias, a ordem é poupar. Os policiais militares do setor operacional estão sendo orientados a diminuir as rondas e dar prioridade no atendimento de ocorrências. O que antes era ilimitado, podendo os policiais completar o tanque das viaturas duas vezes por dia, hoje só é permitido o abastecimento de 15 litros por turno.

De acordo com a Associação de Praças de Santa Catarina (Aprasc), viaturas de Criciúma, São José,  Palhoça, Tubarão e de alguns municípios do Extremo-Sul do estado, não estão circulando normalmente devido a falta de repasse de verba para compra de combustível. Em Criciúma, o problema tem se arrastado desde a metade do ano. Além da falta de combustível, em Criciúma, os Praças sofrem com o sucateamento das viaturas.

O que há pouco tempo eram mais de 20 viaturas circulando pela cidade, hoje não passa de 13, sendo que a metade não atende ocorrências. Algumas viaturas estão paradas há quase um ano, por falta de reparos. De acordo com um soldado da PM que preferiu não se identificar, a situação é crítica. ''As poucas viaturas que tem estão constantemente com problemas, pois são viaturas antigas, algumas com mais de cinco anos de uso. O ar-condicionado não funciona, falta pneus originais, para maior segurança e estabilidade na pilotagem. Tem viaturas que falta sinal sonoro e sirene. Existe viaturas que a gente confere o óleo de manhã e, a noite já está baixo outra vez.

Caso estrague por causa disso, o policial é responsabilizado e chamado para que seja perguntado se ele deseja pagar o conserto. Se não quiser (o que é óbvio que não vai), abri-se um processo administrativo e corre o risco do Estado cobrar do policial. Saímos do Batalhão para trabalhar orientados, se a viatura estragar, seremos responsabilizados, ou com processos administrativos, ou tendo que pagar o conserto das viaturas.” relatou. Ainda de acordo com o policial entrevistado, a situação é pior que a população imagina. ''Ha anos não se via o 9º Batalhão de Polícia Militar em uma situação dessa, trabalhar em Criciúma está tão ruim que nenhum policial quer vir pra cá.

Até quem mora aqui pede transferência para outras cidades vizinhas. Alguma coisa de errado tem nisso. Ao menos nesse último mês, mais de 50 policiais que aqui trabalham (sendo uma parcela moradores de Criciúma) pediram transferência e estão ansiosos esperando pela divulgação dos nomes contemplados.'' Ressalta o policial que preferiu não ser identificado para não sofrer represálias. De acordo com um requerimento em conjunto feito ao Governador do Estado, os vereadores de Criciúma alegam que à carência de viaturas, já repercuti no desaparecimento da presença policial nas ruas, incrementando consideravelmente a sensação de insegurança em Criciúma, como se observa.

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